Crescimento econômico e desenvolvimento sustentável nas empresas

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É difícil definir qual é a principal mudança corporativa global das últimas décadas. A transformação digital, potencializada sobretudo pelas novas tecnologias, estimulou alterações profundas em todas as esferas de negócios. Da acelerada inovação em produtos e serviços, passando por processos internos cada vez mais focados em alta produtividade, o conceito de crescimento econômico assumiu novos significados no mundo corporativo. Um dos aspectos que merecem atenção é a questão do desenvolvimento sustentável.

Atualmente, para que uma organização seja considerada de fato bem-sucedida, excelentes resultados financeiros não são o suficiente. É claro que o desempenho econômico segue como fator crucial. No entanto, o destaque cada vez maior para o ESG nos mercados internacionais, exige que o crescimento econômico esteja alinhado às melhores práticas de sustentabilidade, no âmbito social, ambiental e de governança.

O que é ESG – Environmental, Social and Governance?

Sigla originária da expressão em inglês Environmental, Social and Governance, que em tradução livre significa Ambiental, Social e Governança, ESG é um conceito que surgiu no início dos anos 2000, em um relatório capitaneado pela ONU – Organização das Nações Unidas, intitulado PRI – Principles for Responsible Investment (princípios para investimentos responsáveis, em tradução livre).

O documento aborda a urgência de inserir questões ambientais, sociais e de governança no mercado financeiro, com o objetivo de promover práticas de mercado mais sustentáveis. Assim, a longo prazo seria possível atingir resultados positivos para todas as partes envolvidas: empresas, governos, consumidores, sociedade e, é claro, meio-ambiente. Tudo a partir da adoção de práticas de ESG.

Em síntese, o ESG é um índice usado para mensurar se um negócio age efetivamente em prol de causas ambientais, sociais e de governança. O E do ESG diz respeito às questões ambientais, à utilização consciente de recursos, iniciativas de preservação da natureza e afins. O âmbito social (S) abrange o impacto que a organização exerce sobre as pessoas, desde o ambiente interno até questões de diversidade, inclusão e benefício de comunidades, por exemplo. Por fim, a governança (G) reforça a importância de garantir lisura e idoneidade nos processos corporativos, adotando medidas eficientes de combate à corrupção, assédio e discriminação no ambiente interno, entre outros pontos.

Ser reconhecida por melhores práticas nestes aspectos não faz bem apenas para a imagem e credibilidade da empresa, mas também para suas finanças. Afinal, ser ESG tornou-se um critério de investimentos adotado por inúmeros fundos de investimento internacionais. Em outras palavras, adotar estruturas de negócios pautadas por um modelo de capitalismo consciente pode ampliar exponencialmente as chances de obter mais investimentos, parcerias estratégicas e novos contratos.

A importância de conciliar crescimento econômico e desenvolvimento sustentável

Cientes do significado de ESG e de sua valorização nos mais diferentes mercados globais, é necessário compreender também a importância prática de implementar práticas positivas e aliar diversas vertentes de sustentabilidade ao crescimento empresarial. Alguns dos aspectos que refletem a necessidade disso são:

  • Maior possibilidade de sucesso em mercados internacionais: a obtenção de certificações específicas, a comprovação de práticas sustentáveis e outras ações efetivas e mensuráveis de ESG são capazes de ampliar significativamente as chances de sucesso das empresas, especialmente para aquelas que atuam em mercados multinacionais. Inclusive, já é normal encontrar instituições que restringem a consolidação de parcerias comerciais apenas a empresas alinhadas aos seus parâmetros de ESG.
  • Alinhamento às expectativas do público consumidor: não é somente o mercado que se tornou mais exigente; os consumidores têm se mostrado cada vez mais atentos aos discursos e ações sustentáveis das empresas. Diferentes perfis de clientes possuem maneiras distintas de acompanhar e validar as marcas que consomem, e é importante estar atento a este novo tipo de comportamento.
  • Engajamento das equipes e retenção de talentos: a postura das empresas também exerce impactos no ambiente interno. Organizações com processos claros, investimentos em ações de governança e projetos socioambientais tendem a contar com colaboradores mais engajados e, consequentemente, menor índice de rotatividade, maior produtividade etc.
  • Menor risco de crises de imagem e não-conformidade legal: a atenção minuciosa e contínua aos aspectos de ESG afetam positivamente o âmbito jurídico e legal das organizações. Quando há uma mentalidade consolidada de atenção aos detalhes e pleno atendimento a exigências, metas e objetivos, a tendência é de que surjam menos problemas, necessidade de retrabalho ou de gestão de crises.
  • Longevidade corporativa e preservação de recursos: por fim, mas não menos importante, investir em ações que contribuem para a conciliação de crescimento econômico e desenvolvimento sustentável é um esforço positivo para o planeta. A preservação de recursos diversos, a dedicação em atenuar os impactos da operação e buscar o bem-estar de equipes, clientes e sociedade de modo geral, contribui para a saúde do meio ambiente, das pessoas e, consequentemente, das empresas.

O papel do direito para empresas alinhadas à Nova Economia

O processo de implementação e manutenção efetiva de boas práticas de ESG requer esforços coletivos de diversas áreas de conhecimento, e todos os setores de qualquer organização, independentemente de seu porte ou segmento de atuação. No que diz respeito ao direito, por exemplo, áreas de atuação específicas como Direito AmbientalDireito de EnergiaDireito Minerário e Direito Empresarial, por exemplo, possuem um papel importante.

Com o suporte de uma equipe especializada, os investimentos jurídicos nestes e outros aspectos podem auxiliar a empresa a manter-se em conformidade com leis e regulamentações específicas, mapear, prevenir e sanar problemas, lidar de maneira adequada com eventuais gargalos e, assim, garantir o pleno funcionamento da operação. Em síntese, com o devido alinhamento entre todas as partes envolvidas, conciliar crescimento econômico e desenvolvimento sustentável é uma ação benéfica para todos: mercado, sociedade e meio ambiente.

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