Desafios do setor educacional brasileiro no contexto pós-pandemia

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É difícil apontar áreas que não foram negativamente afetadas pelo período de pandemia que perdurou nos últimos anos. No mundo inteiro, a necessidade de adoção de medidas restritivas como distanciamento social, lockdown e afins, impactaram a realidade de setores inteiros. O segmento educacional certamente é um exemplo disso.

O que, a princípio, seria apenas um recesso escolar de quinze dias no Brasil, em março de 2020, acabou se transformando em meses de aulas virtuais, ou até mesmo de ausência completa de classes, no contexto da educação pública, por exemplo. As instituições de ensino em todos os níveis, do ensino básico ao superior, tiveram de promover uma verdadeira revolução digital às pressas. Conceitos até então pontuais, como ensino híbrido e homeschooling, por exemplo, ganharam os holofotes e a atenção da opinião pública, trazendo consigo mudanças bastante significativas.

Pandemia, tecnologia e o impacto das mudanças recentes no setor de ensino

Hoje, diante do arrefecimento do cenário mais crítico vivenciado no ápice da pandemia de Covid-19, novos desafios começam a despontar para o setor educacional. Além da ampliação da desigualdade social no país e da urgente necessidade de ampliar a inclusão digital, é preciso repensar por completo os modelos tradicionais de aprendizagem, não apenas na esfera privada, mas também a partir de projetos de lei e outras iniciativas públicas.

O nível de desigualdade social no Brasil foi profundamente acentuado. Milhões de alunos ficaram sem aulas, em decorrência da dificuldade de acesso à internet para manutenção do ensino on-line. Em 2020, o ENEM apresentou seu menor número de inscritos desde 2005. O distanciamento social afetou também a sociabilidade dos alunos em ambientes estudantis, de modo que habilidades fundamentais para o desenvolvimento humano e profissional precisam ser desenvolvidas, e nem todas estas soluções passam necessariamente por ferramentas digitais e tecnológicas.

O escritório Tostes & De Paula conta com profissionais especialistas em Direito Educacional, sempre atentos à realidade do mercado e à disposição para auxiliar sua organização quando necessário.

Desafios para organizações do setor educacional no contexto pós-pandemia

Diante deste cenário, brevemente apresentado neste artigo por se tratar de um contexto bastante complexo, alguns desafios educacionais se destacam. Seja você profissional do setor, responsável por uma instituição de ensino ou por uma empresa educacional, é necessário atentar-se a estes e outros pontos de ação. O papel da educação no mundo pós-pandemia vai muito além de ensinar. É preciso aliar esforços para auxiliar alunos e alunas a navegarem em uma nova realidade. Alguns exemplos de desafios são:

Combater os altos índices de evasão escolar e falta de acesso à internet

Um levantamento realizado pela organização Todos Pela Educação, revelou que 244 mil crianças de 6 a 14 anos estavam fora da escola no segundo trimestre de 2021. Isso significa um aumento de 171% se comparado ao mesmo período em 2019.

Segundo informações disponibilizadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)a evasão escolar no Brasil atinge mais de 5 milhões de alunos. Durante o período da pandemia de Covid-19, esses números aumentaram em 5% entre os alunos do ensino fundamental e 10% no ensino médio. Para os que ainda estão matriculados, a maior dificuldade neste período foi o acesso à internet: cerca de 4 milhões de estudantes não possuíam conectividade.

Promover modelos de aprendizagem que zelam pela saúde mental

Outro ponto que está em voga em todo o planeta no contexto pós-pandemia é a questão da saúde mental. Episódios recentes como o ocorrido em Recife (PE), no qual 26 adolescentes sofreram uma crise coletiva de ansiedade, evidenciam o momento de fragilidade emocional e a necessidade de apoio, comunicação e cuidado para estudantes. E a atenção a estes aspectos não se limita apenas para um perfil de público, mas para qualquer faixa etária ou nível de educação.

Aproximar ainda mais a realidade da sala de aula ao mercado de trabalho

No âmbito da educação profissional, as instituições terão de encontrar formas para se adequar às novas tendências do mercado de trabalho. Fenômenos recentes e de abrangência global como a consolidação do trabalho remoto e a Grande Resignação, por exemplo, indicam novos movimentos por parte de empresas e colaboradores. É essencial compreender, se adaptar e orientar os estudantes quanto aos novos paradigmas do trabalho pós-pandemia.

Mudanças na legislação brasileira podem afetar escolas e estudantes

Além de todos os aspectos supracitados, há ainda tópicos importantes em discussão no âmbito legislativo. Dentre os projetos mais polêmicos e cuja definição pode causar mais impacto, certamente se destacam as leis locais de autorização ao ensino domiciliar, ou homeschooling. Ao mesmo tempo em que as indefinições e a forte oposição ao tema por várias frentes o impedem de avançar no âmbito federal, são vários os casos de tentativas de regulamentação a nível estadual.

Não há muito a ser feito além de acompanhar os desdobramentos dessa questão e seus efeitos, tanto em caso de aprovação quanto de reprovação no Congresso. No entanto, é fundamental manter atenção sobre o assunto, porque trata-se de um tópico de interesse de escolas, famílias, alunos e outras entidades que se relacionam com o setor educacional.

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